Você sabe como é estar na prisão? Já conversou com alguém que tenha passado por essa experiência? O que acontece lá dentro? E como é o retorno à vida fora das grades? Bata um papo reto com a jornalista Bárbara Barbosa, o historiador Cristiano Oliveira e o advogado João Luis da Silva, egressos do sistema prisional e articuladores da Eu Sou Eu: A Ferrugem. Iniciada intramuros, a organização acolhe quem ainda está ou já esteve preso, promovendo ações de atendimento, programas educacionais e intensos debates sobre o sistema punitivista ao redor do qual nossa sociedade se organiza.
Bárbara, Cristiano e João Luís já se movimentavam dentro da cadeia enquanto cumpriam pena, buscando consolidar os direitos previstos pela Lei de Execuções Penais (LEP) e não efetivados no sistema carcerário. Hoje, a Eu Sou Eu atua como uma frente de ação, criada para impedir que o Estado movimente suas máquinas violadoras de direitos, a partir da realização de atividades de educacionais e de formação profissional, além da ocupação de fóruns públicos de debate e da esfera de pesquisa acadêmica. Seu primeiro projeto foi financiado pelo Fundo Brasil de Direitos Humanos. Entres suas ações recentes, está o Educação Que Liberta, que promove cursos preparatórios, adotando uma metodologia inspirada pela educação libertadora de Paulo Freire e a parceria com o projeto de residência artística "Coexistir, Coabitar", no Museu da Vida Fiocruz, focado em jovens egressos dos sistemas prisional e socioeducativo e seus familiares.
Organizado pela Editora Nua, o livro Papo Reto sobre Cadeia surgiu de entrevistas com Bárbara, Cristiano e João Luis. Conta com apresentação de Samuel Lourenço, ativista, poeta e escritor, formado em Gestão Pública pela UFRJ; prefácio de Paula Jardim Duarte, psicóloga e ex-integrante do ISER (Instituto de Estudos da Religião) e posfácio da vereadora Mônica Cunha, fundadora do Movimento Moleque, presidente da Comissão de Combate ao Racismo da Câmara Municipal do Rio de Janeiro.
A Coleção Papo Reto promove a aprendizagem sobre temas contemporâneos a partir de conversas com quem tem vivência e experiência direta no assunto, em linguagem simples. São "papos retos", curtos e objetivos, em formato de bolso, incluindo destaques e perguntas reflexivas, além de resumos em tópicos ao final de cada capítulo.