Neste livro, Vladimir Safatle afirma a existência de um fascismo estrutural, que emerge com força em situações de crise. A novidade é examinar o fascismo contemporâneo a partir de uma crítica interna, afastando-se de argumentos de pensadores progressistas que atribuem sua emergência à irracionalidade ou a impulsos descontrolados para mostrar como há em vigor a aplicação consistente da lógica neoliberal da concorrência generalizada, que responde a um cálculo racional. Assim, interessa ao autor compreender as condições de formação das subjetividades na sociedade neoliberal. A partir de leituras de Freud, Lacan e Adorno, Safatle afirma que a centralidade da identidade individual neoliberal cria condições favoráveis às dinâmicas fascistas, estabelecendo uma ligação estrutural entre liberalismo, colonialismo e fascismo que muitas vezes preferimos ignorar: o fascismo emerge como uma forma específica de violência que reconstrói a sociedade a partir de uma mutação dos afetos sociais, generalizando dinâmicas de dessensibilização e indiferença.